Macaronésia é o nome que designa um conjunto de arquipélagos do Atlântico Norte localizados entre SW da Europa e NW da África. Três deles correspondem a países da União Europeia: Açores e Madeira a Portugal e as Ilhas Canárias a Espanha. Cabo Verde, mais meridional, é um país independente.

Situação geográfica da Região da Macaronésia.

Trata-se de uma denominação relativamente recente. Foi o geólogo e botânico inglês Philip Baker Webb (1793-1854) que lavrou o termo Macaronésia (procedente do grego μακάρων νήσοι´, "ilhas afortunadas") para denominar esta região bio geográfica.

Os arquipélagos Macaronésicos apresentam um conjunto de características comuns, tanto naturais como socioeconómicas.

Em primeiro lugar, sem dúvida, a origem vulcânica. Todos eles estão localizados em áreas com uma extensa história de vulcanismo activo, o que se denomina um “hotspot geológico”. Esta circunstância determina, não só os seus substratos litológicos e, em boa medida, a sua geomorfología, mas também um meio ciclicamente submetido a transformações radicais associadas aos episódios eruptivos, que comportam a completa destruição da vida, seguido de uma lenta ré-colonização. Como resultado, as ilhas oferecem uma paisagem muito heterogénea. Existem áreas de materiais antigos, não afectadas por estes fenómenos, áreas onde os processos de erosão tiveram tempo de actuar e onde os seres vivos puderam evoluir conjuntamente, dando lugar a ecossistemas complexos, diversos e estáveis. Perto delas podemos encontrar áreas afectadas por recentes episódios eruptivos, vazamentos de lava que alteraram completamente a orografia original e que começam a ser colonizados pela vegetação.

Os arquipélagos Macaronésicos estão distribuídos num eixo Norte-Sul, existindo portanto um grande contraste climático. O maior contraste climático é o existente entre o clima subtropical húmido dos Açores (área Norte) e o clima tropical seco do Cabo Verde (área Sul). Ora bem, apesar das variações existentes, todos os arquipélagos ficam englobados na mesma região biogeográfica, com características específicas e bem diferenciadas.

Uma das características mais importantes ao se definir a singularidade da biota macaronésica, e comum nos arquipélagos que a formam, é o “realidade insular”. O isolamento assim acarretado, e favorecido frequentemente pela acidentada orografia, desencadeou uma extensa série de processos evolutivos que facilitaram a diferenciação entre as espécies, origem da multiplicidade endémica no seio das diferentes escalas geográficas, tanto nos arquipélagos e ilhas, como nas localidades litorais localizadas nas mesmas. Tal vez seja o tipo de vegetação mais emblemática da região a floresta de lauráceas (de aspecto semelhante às florestas que antigamente dominavam a bacia mediterrânica e o Norte de África) e que num tempo cobriam a maior parte dos Açores e da Madeira, assim como áreas das Canárias. A sua extensão reduziu-se muito, mas ainda estão representados em todos estes arquipélagos.

Cabo Verde é o arquipélago mais diferenciado. Todavia, devido à sua origem, geomorfología e influência dos alísios e da corrente fria das Canárias, pode ser incluído na Macaronésia. Do ponto de vista biogeográfico apresenta uma biota muito diferente, com importantes relações com as áreas continentais próximas, especialmente no caso do ecossistema marinho.

No que diz respeito à conservação do meio natural, os problemas da região Macaronésica são bastante similares. Os diferentes aproveitamentos humanos competem pelo solo e pelo resto de recursos básicos, como aconteceu no passado com a actividade agropecuária, e hoje nomeadamente com os usos urbanos, especialmente os turísticos. Esta competitividade, junto com a introdução de plantas e animais exóticos que por vezes desarticulam as espécies autóctones, supõe (com variações locais) que boa parte da biota endémica da região se encontre seriamente ameaçada, quando não extinta.

Na região existem assuntos socioeconómicos comuns. Entre eles, a situação de afastamento geográfico do continente, o que dificulta o intercâmbio de bens, deslocação de pessoas, e mesmo a troca de conhecimentos, pelo menos até o século passado. Para além disto, excepto Cabo Verde, a separação física com o resto do Estado leva ao distanciamento. Esta situação ultraperiférica, a própria fragmentação do território de cada arquipélago em unidades tão drasticamente delimitadas como são as ilhas, e a dependência respeito ao exterior, são características estruturais que condicionaram e condicionam decisivamente o desenvolvimento das actividades humanas e a disponibilidade de recursos.

Características gerais dos arquipélagos que constituem a região biogeográfica da Macaronésia

Características

Canárias
Açores
Madeira
Cabo Verde
País
Espanha
Portugal
Portugal
Cabo Verde
Distância da capital regional à capital do território continental (km)
3.000
1.500
1.040
Países mais próximos
Marrocos, Mauritânia, Senegal
Portugal, Espanha
Marrocos, Mauritânia
Senegal
Número de ilhas
7
9
2
9
Número de municípios
87
19
11
17
População (indivíduos em 2001)
1.694.477
241.763
245.011
442.452
Superfície (Km²)
7.447

2.322

828
4.030

Nas últimas décadas, deve-se mencionar a crescente importância do turismo como fonte de riqueza (mesmo com grandes variações de implantação entre arquipélagos e ilhas), frente a um sector secundário pouco desenvolvido e a um sector primário em retrocesso que sobrevive graças ao apoio das subvenções públicas.